domingo, 23 de novembro de 2014

FESTA DE CRISTO, REI DO UNIVERSO


O Jesus que recebemos na comunhão é o mesmo que vem ao nosso encontro na pessoa dos pobres e dos sofridos. Seremos considerados dignos de estar ao lado d’Ele ou não a partir da escolha, da aceitação dos pobres e dos sofredores em nossa vida!
“Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo!” (Mateus 25, 34)
É com muita alegria que celebramos, hoje, a Festa de Cristo Rei; coroamos o ano litúrgico, coroamos a nossa vida proclamando essa verdade suprema: Jesus Cristo é Rei, é o Senhor! Nós queremos exaltar o reinado e o senhorio de Cristo, nos rendendo, nos entregando a Ele, proclamando que da nossa vida Ele é o Senhor.
A cada dia, meus irmãos, precisamos nos tornar súditos desse reinado de Jesus; o Seu reinado começa em nossa alma e em nosso coração quando Lhe entregamos nossa vida.
O Evangelho, deste domingo, permite-nos refletir sobre o “juízo universal” e o reinado definitivo de Deus sobre todo o universo, o reinado de Jesus sobre todos nós. Se hoje vivemos todos juntos no Reino definitivo do Senhor, haverá a separação dos que são de Deus e daqueles que não são.
Existe um critério fundamental. Primeiro, o amor a Deus sobre todas as coisas, que é vivido na caridade sem medida, ou seja, é saber acolher Jesus na pessoa do próximo, do pobre, do sofredor e do rejeitado. É também entender que cada sofredor que vem ao nosso encontro, que vamos ao encontro dele ou ainda o sofredor de quem nos desviamos é o próprio Jesus.
O Senhor está na pessoa do preso, do doente, do enfermo; está na pessoa daquele que passa fome, daquele que passa necessidade. Como nos recorda Papa Francisco a partir dos santos padres da Igreja: “A carne do pobre é a carne de Cristo”. Sabe aquela carne humana sofrida pela doença, pelas diversas lepras da vida, que, muitas vezes, nós nem gostamos de olhar? Sabe aquela pessoa de quem não suportamos o cheiro? É o cheiro de Jesus, é a pessoa d’Ele! Vamos ser considerados dignos de estar ao lado d’Ele ou não a partir da escolha, da aceitação dos pobres e dos sofredores em nossa vida!
Sabe, meus irmãos, não adianta só adorar Jesus no Sacrário, na igreja; não adianta apenas amá-Lo com o terço na mão, com a Bíblia pregando para lá e para cá. A fé se traduz em obras e gestos! O mesmo Jesus que recebemos na comunhão é o que vem ao nosso encontro na pessoa dos pobres e dos sofridos.
Não é discurso social, é discurso evangélico; não é teoria política, é Evangelho puro: cuidar dos pobres, amá-los e dar a nossa vida por eles. No Reino de Deus, no julgamento definitivo, eles serão os protagonistas; e quem nessa vida cuidou deles reinará com eles junto com Nosso Senhor.
Deus abençoe você!
“Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. 

Vamos celebrar com jubilo a festa do Rei Jesus. Os homens com glória, as mulheres, Aleluia! Vamos celebrar ao Rei...♫♫



OREMOS:

Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

VIVA A CRISTO, REI DO UNIVERSO, VIVAAAAA!!!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

ARCEBISPO EMITE ALERTA CONTRA FALSO CARDEAL QUE CIRCULA POR IGREJAS DE SP



Dom Odilo emitiu a nota para todos os padres da capital.
Falsário alemão já havia agido na Bahia e no interior de São Paulo.


O Arcebispo de São Paulo Dom Odilo Scherer divulgou nota no último dia 7 de novembro para todos os padres sobre um falso cardeal que circulava por paróquias de São Paulo. Segundo informações da arquidiocese, o falsário chegou a ir a Paróquia São Paulo da Cruz (Igreja do Calvário), em Pinheiros, Zona Oeste da capital, e pediu ajuda financeira.
O homem apontado pela arquidiocese é Wolfgang Schuler, um alemão com cerca de 70 anos que já teve passagem pela polícia da Bahia em 2004 e em 2007. Ele também já teria sido extraditado para a Alemanha, informa a arquidiocese. Em sua passagem por São Paulo, Schuler foi recebido em igrejas, celebrou missas e atendeu confissões.
O falso cardeal já havia se apresentado em outubro na diocese de Mogi das Cruzes como arcebispo nomeado de São Paulo. A arquidiocese de São Paulo informa que ele também se apresentou no interior do estado como bispo Dom Franz-Josef Bode de Osnabrück (Alemanha). O nome do bispo é real, mas se trata de outra pessoa.
O objetivo de Dom Odilo com o comunicado era fazer com que surgissem denúncias contra o falso cardeal para a Arquidiocese. A informação de que ele teria aparecido na Igreja do Calvário surgiu após a notificação do arcebispo circular. A secretária da paróquia fez a denúncia. Após essa o ato, a arquidiocese não recebeu mais nenhuma informação sobre o falsário.
A Arquidiocese informou, via assessoria, que não registrou ocorrência na polícia contra o falso cardeal pois entende que o homem não cometeu um crime ainda. Segundo a instituição religiosa, a maior preocupação é alertar a igreja e que Schuler não engane fiéis, nem que faça as pessoas pensarem que é cardeal. Na carta de Dom Odilo, ele orienta que as paróquias procurem a polícia caso o homem insista em sua participação na Igreja.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

ARTIGOS DO BISPO DIOCESANO DE JALES 



AS TERRAS MARAVILHOSAS DA ARGENTINA

No final de setembro de 1999, tive a oportunidade de conhecer melhor a Argentina.
De todos os países da América, nesses anos de CELAM, só faltava ver a Argentina. Fui convidado a ir a Santa Fé, a capital da Província de Entre Rios, onde se realizava o Congresso Missionário Continental. O Arcebispo de Santa Fé, Monsenhor Estanislau Karlik, também fazia parte da Comissão do Sínodo da América. Ele insistiu para que eu fosse ao Congresso em sua cidade. E assim, pude ver mais de perto as terras da Argentina.
De fato, fiquei impressionado vendo as planícies sem fim, estendendo-se território adentro, a partir de Buenos Aires. Imaginei então nossos pobres migrantes italianos, alemães e poloneses, que no final do século dezenove foram se instalar no sul do Brasil. Eles tiveram que arrancar à unha o seu sustento nas montanhas do Rio Grande. Quando os que foram para a Argentina encontraram a facilidade de cultivar aquelas planícies, com sua fabulosa fertilidade.
Na viagem de Buenos Aires a Santa Fé, ao longo de quinhentos quilômetros, pude observar como a terra é plaina, como o assoalho de uma casa. E assim é toda a região da “Pampa Úmida”, num círculo de mil quilômetros nas vizinhanças de Buenos Aires. A perder de vista, a mesma planície, que permitia ver os carros passando a quilômetros de distância.
Pensando agora na crise da Argentina, a gente compreende como durante tanto tempo estas terras férteis foram a fonte da abundância e da riqueza dos argentinos. Na época anterior à “revolução verde”, que transformou a agricultura europeia, os argentinos exportavam seus produtos para a Europa, colhidos com facilidade, para compradores europeus que precisavam deles para matar a fome.
Agora, o protecionismo agrícola da Europa e dos Estados Unidos mudou a situação. Talvez os argentinos tenham se acostumado mal. E as terras, nas mãos dos grandes fazendeiros, que só se interessam por lucro fácil, acabaram se tornando um fator a mais para embananar a situação econômica da Argentina.
Talvez seja válida uma constatação: mais vale a austeridade de vida e a garra de trabalhar, do que a exuberância fácil da riqueza que custa pouco.
Próximo seguimento: A bolsa de Chicago
ARTIGOS DO BISPO DIOCESANO DE JALES 



OS VENTOS QUE SOPRAM DO CHILE

Em 1999, com sete viagens para o exterior, duas delas foram para o Chile. A primeira, no início de setembro, a convite das Nações Unidas, para participar de uma reunião preparatória da “Assembleia do Milênio”, que as Nações Unidas tinham pensado em fazer no ano 2000, para rever a organização das Nações Unidas. Queriam saber a opinião da sociedade civil. E me convidaram também.
Foi na sede do CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina, que se encontra em Santiago, e que é uma espécie de representação das Nações Unidas na América do Sul.
Ao chegar lá, me surpreendi, vendo que da Igreja Católica eu era o único representante, de todos os países. Fui o primeiro a falar. Procurei dar logo o meu recado: que se respeitem mais as “nações”, e ao mesmo tempo se comece uma “cidadania universal”, como embrião para um governo supra nacional, e que as Nações Unidas comecem por tirar os instrumentos de dominação que exploram hoje as nações pobres: a Dívida Externa, a lei das patentes, chamando a atenção sobretudo para o uso da biotecnologia, que pode arruinar a vida no planeta.
Depois, me surpreendi vendo como ao longo do encontro, todos voltavam a se referir às minhas teses, dizendo: “como falou o Bispo…”
Em novembro, voltei ao Chile para participar do jubileu sacerdotal do Padre Sérgio Torres, que coordena a organização dos teólogos, os quais fazem questão de contar com minha presença nas suas assembléias.
O Chile é um país espremido entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico, comprido e estreito. De todo lugar, se vê o cimo dos montes, muitas vezes brancos de neve, e em todo o lugar se está perto do mar. Esta geografia é a responsável por nossas chuvas no sul do Brasil. Pois é de lá que os ventos frios sobem para o Brasil, canalizados pelas montanhas e seguindo as planícies da Argentina, conseguem chegar até o Paraná, ou um pouco acima, seguindo pelos vales dos rios Paraná e Paraguai, e causando as mudanças de temperatura que provocam as chuvas. Assim, o Chile fica um pouco longe, mas nos interessa de perto.  Que os ventos continuem soprando, na hora certa!
Próximo seguimento: as terras maravilhosas da Argentina 
ARTIGOS DO BISPO DIOCESANO DE JALES 



UM COMÍCIO EM LONDRES!

Quando em abril de 1999 terminei, finalmente, meu segundo mandato na CNBB, ainda tinha pela frente alguns compromissos marcados, que me implicavam uma longa viagem à Europa: participar da assembleia internacional da Cáritas em Roma, e ir para a Suíça participar do encontro das Nações Unidas sobre migrações. A estes dois compromissos se emendaram outros: ir para Londres e para a Alemanha, participar de encontros sobre Dívida Externa, assunto que tínhamos levantado com força na Terceira Semana Social Brasileira, e por isto queriam contar com minha presença.
Iniciei então a viagem, indo direto para Londres. Nunca tinha ido à Inglaterra. Pude conhecer, então, a capital do antigo império britânico: bem organizada, com amplos espaços arborizados, sobretudo ao longo do Rio Tâmisa, onde aproveitaram as terras que pertenciam aos nobres, e as transformaram em praças públicas. Uma boa destinação da herança dos nobres!
Pois bem, a manifestação sobre a Dívida Externa estava marcada para o domingo dia 13 de junho. E deu sorte, pois foi um dia bonito, o primeiro dia de sol na lenta primavera inglesa. E isto ajudou para o povo atender ao apelo das organizações. E deu uma multidão calculada em 50 mil pessoas, que saíram às ruas. E de repente, me vi participando de um comício em plena Londres, discursando na famosa “Trafalgar Square”, a Praça onde está a estátua de Nelson, aquele que venceu Napoleão.  Do pedestal da estátua improvisamos o palanque para nosso comício. E foi muito aplaudido, mesmo se os ingleses continuam com culpa no cartório nesta história de dívida externa. Mas afinal, é preciso sacudir as velhas heranças!
Foi o que fizemos duas semanas mais tarde, em Colônia, na Alemanha. Enquanto os Sete grandes se reuniam, para fazerem seus planos, nós, os pobres do terceiro mundo, nos reunimos também, e embalados na ideia do Jubileu, do “Perdão das Dívidas”. Junto com a multidão, lá também, cercamos a cidade num grande abraço, para dizer que os povos do mundo querem outra ordem, com mais justiça e mais vida, e não a globalização que só favorece aos ricos. Em todo o caso, conseguimos que eles ao menos prometessem abater a dívida de países pobres.
Enquanto isto, já tinha ido a Roma, participar da assembleia da Cáritas. E de Colônia, fui a Genebra, na Suíça, onde ainda existem alguns escritórios das Nações Unidas, herança ainda do tempo da “Liga das Nações”, organizada depois da primeira guerra mundial.
Genebra é o símbolo da função de mediação que a Suíça exercia tempos atrás, e que agora está perdendo cada vez mais. Uma cidade limpa, rica, bonita. Mas, o que quase não se vê por lá são crianças. E discutindo sobre migrações, a própria Suíça é dos países que mais fecha as fronteiras para não receber migrantes, para não correr o risco de repartir sua riqueza. Só que alguns se perguntam com quem vai ficar esta riqueza daqui a algumas décadas, se não houver mais suíços para herdá-la!
De Genebra peguei o trem, e fui para o norte da Itália, passar ao menos dois dias na casa dos parentes, no lugar onde nasceu o avô Felice Valentini. E de lá voei de volta para o Brasil, para encontrar, como sempre, a pilha de compromissos a me esperar.
Próximo seguimento: Os ventos que sopram do Chile


ARTIGOS DO BISPO DIOCESANO DE JALES 



ANDANÇAS PELO MUNDO

Rememorando meus anos de Bispo de Jales, já contei como os oito anos de CNBB me acarretaram uma sobrecarga de trabalho, que se traduziu especialmente em forma de muitas viagens pelo Brasil.
Mas se os oito anos de CNBB foram assim tão carregados, por incrível que pareça a carga aumentou depois que deixei a CNBB. Em parte porque começaram a me “cobrar” presença em lugares onde não podia ter ido por causa dos muitos compromissos na CNBB.
Assim, passei a “pagar dívidas”, que me custaram muitas outras viagens. Nestes dias tive o cuidado de refazer o roteiro, e quase me assustei de tantas andanças.
Em 1999, por exemplo, foram sete viagens para o exterior: começando em janeiro no México, passando depois por Honduras, e indo para outro compromisso em Bogotá.  Em março fui a Roma para a reunião do Sínodo. Em junho passei quase todo o mês na Europa, com compromissos na Inglaterra, na Itália, na Alemanha e na Suíça! Depois, precisei ir duas vezes para o Chile, em setembro e novembro. Uma vez na Argentina para o Congresso Missionário. E finalmente nos Estados Unidos, a convite da Universidade de Notre Dame.  Tudo isto, no ano de 1999.
Depois, veio o ano 2000. Foi o mais pesado de todos. Pois precisei fazer seis viagens para o exterior, todas com compromissos que me exigiram muito trabalho. Em fevereiro uma semana na Guatemala, na América Central, e depois uma semana em Roma na Comissão do Sínodo. No início de março, dez dias de pregações na Suíça. No início de abril, dez dias na França. No final de maio, uma semana na Alemanha. E em setembro, uma semana na Colômbia.  Além de diversas viagens também no Brasil, das quais dez dias no Tocantins, onde a Diocese Jales mantinha uma missão, sustentando lá uma paróquia. Ao mesmo tempo foi um ano super carregado de serviços na Diocese, com diversas iniciativas que me preocuparam, e com as complicações que aparecem quando menos a gente espera, mas que precisam ser enfrentadas. Assim foi o ano 2000.
Em 2001 o ritmo diminuiu, graças a Deus. Assim mesmo, foram três viagens ao exterior: para a Bolívia em fevereiro, quinze dias na Europa em junho, e no final de outubro uma semana na Áustria, que aceitei ir depois de tanto insistirem.
Teria tantas coisas a contar destas andanças todas… A começar pela Áustria, por exemplo. Nos dias que passei por lá, pensei muito nos meus quatro avós, que vieram da Europa para o Brasil no final de século dezenove. Tanto o avô Bortolo Bertoldi, que falava alemão, como o Felice Valentini, e as duas avós, nasceram em território que naquele tempo pertencia à Áustria.
Mas vamos deixar este assunto para outra conversa.
Próximo seguimento: Um comício em Londres
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OITO ANOS DE CNBB: 
SEM TEMPO DE VER O TEMPO PASSAR...

Os meus compromissos de bispo aumentaram muito em 1991, quando fui eleito para a CNBB, como membro da Comissão Episcopal de Pastoral, por quatro anos. Em 1995 fui reeleito, de modo que fiquei neste cargo oito anos, até abril de 1999.  Na CNBB tive que assumir o cargo mais complicado e mais difícil, como responsável pela Pastoral Social. Tive que acompanhar, na medida do possível, dez Pastorais Sociais que têm atuação em nível nacional. Além das Pastorais Sociais, nos oito anos, tive que assumir a Presidência da Cáritas Brasileira, o que também empenhou muito trabalho e sobretudo muitas reuniões e viagens, dentro e fora do Brasil.
Mas, nestes oito anos, foram chegando outros compromissos. Sobretudo por dois acontecimentos, dos quais tive que participar, e que acabaram me envolvendo muito: em 1992, a Conferência de Santo Domingo, onde precisei me meter em cheio nos trabalhos, e de onde resultou um envolvimento com muitos teólogos da América Latina que continua até hoje, com reuniões periódicas em diversos pontos do continente. E o outro acontecimento, em 1997, em Roma, com o Sínodo da América, onde também o meu trabalho foi intenso, do qual resultou minha eleição para fazer parte da Comissão Permanente do Sínodo da América, o que me implicou diversas viagens a Roma, sendo três delas só em 1998.
Outra iniciativa que acabou me envolvendo de maneira especial, nesses oito anos, foram as “Semanas Sociais Brasileiras”, que desencadearam um processo crescente de participação, me exigindo uma presença e uma atenção especial em muitos encontros, em diversos pontos do país.
O trabalho normal na CNBB me exigiu, no mínimo, uma semana cada mês em Brasília. As viagens eram sempre apressadas, pois precisava, primeiro, dar conta dos compromissos aqui na Diocese. A distância entre Jales e Brasília é de 882 quilômetros, que pude medir tantas vezes.  Para não pesar para a CNBB, ia de ônibus, depois de viajar de carro até Rio Preto. Mas a maioria das vezes não tinha tempo de esperar o ônibus, que demorava com suas voltas nas rodoviárias. Por isto, me acostumei a ir de carro até Brasília, guiando sozinho, enfrentando a estrada, em qualquer hora do dia ou da noite, dependendo dos compromissos que precisava concluir antes de viajar. Para minhas viagens, usava uma Parati. Ela aguentou muito bem: nos oito anos usei o mesmo carro, que chegou a 420 mil quilômetros sem mexer no motor!
Além disto, durante os oito anos, me pediram para fazer parte também do CELAM, o Conselho Episcopal Latino Americano, que tem sua sede em Bogotá. De modo que precisava participar, também, de diversas reuniões na Colômbia.
Foi assim o ritmo desses anos. Com muitas preocupações, muitas reuniões, muitas viagens, além do trabalho na Diocese. Não deixei, por exemplo, um dia sequer de fazer o meu programa diário na rádio, gravando com antecedência quando precisa viajar.
No Brasil, os compromissos me levaram a visitar, também, quase todos os Estados do Brasil.     
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