AS INICIATIVAS DO PAPA - POR DOM DEMÉTRIO, BISPO DE JALES
Desta vez, a passagem de ano coincide,
simbolicamente, com os nove meses de pontificado do Papa Francisco. É o
tempo de uma gestação. Foi um tempo muito fecundo de iniciativas, que
aos poucos vão dando forma ao novo pontificado.
Através destas iniciativas, dá para perceber a intenção do Papa
Francisco de ir abrindo frentes de trabalho, que integram um projeto
mais amplo de renovação da Igreja, a
partir de sua
missão.
Já é possível perceber o alcance de algumas destas frentes.
A primeira, decidida com rapidez pelo Papa, se refere ao “
Banco do Vaticano”.
Esta é fácil de resolver. Pois se trata, em síntese, de agir com
honestidade e transparência, na gestão dos recursos financeiros, que
poderiam, simplesmente, ser confiados, para a sua gestão, a um banco
idôneo, de qualquer país, e livrar assim a Igreja da persistente
imaginação de que ela é detentora de grandes recursos financeiros!
A segunda iniciativa, também tomada para deixar clara a atitude da Igreja, se refere às vítimas da
pedofilia.
Foi constituída uma comissão, com a finalidade específica de proteger
estas vítimas, seja qual foi a autoria desses crimes, contra os quais a
Igreja quer agir com severidade. Como a primeira, esta segunda frente de
trabalho se destina a fortalecer a credibilidade da Igreja, para tomar
outras iniciativas, mais amplas e mais significativas.
Estas duas iniciativas, que poderíamos chamar de prévias, já foram
tomadas em sintonia com o grupo de oito cardeais, nomeados para ajudar o
Papa no governo da Igreja. Mas a própria convocação deste grupo de
cardeais já sinaliza, por sua vez, uma proposta mais ampla e mais
profunda, de estabelecer um “governo colegiado” da Igreja, que está em
plena sintonia com a “colegialidade episcopal”, a qual se constituiu no
núcleo teológico e
pastoral mais consistente de todo o Concílio Vaticano II.
Uma outra “frente” aberta pelo Papa, é a campanha contra a fome no
mundo. Ela tem a fisionomia de uma campanha esporádica. Mas as
circunstâncias lhe dão o caráter de paradigma da ação social da Igreja.
Lançada pela Cáritas, que é presidida pelo Cardeal Maradiaga, um dos
membros do “grupo dos oito”, foi recomendada com ênfase pelo Papa,
deixando bem clara sua intenção de fazer dela o símbolo da aproximação
entre Igreja e Sociedade, recomendada pelo Concílio em sua constituição
pastoral denominada Gaudium et spes”.
Bastariam estes acenos, para perceber que o Papa age de maneira
estratégica, respaldando sua ação no Evangelho de Cristo e apoiando-se
na consistência teológica e pastoral do Concílio, que é reproposto como
referência básica e indispensável para a tão esperada renovação da
Igreja.
Para que estas iniciativas não pareçam soltas e desconexas, o Papa
Francisco aproveitou a “Exortação Pós-sinodal Evangelii Gaudium” para
transmitir sua visão orgânica e integral do momento que a Igreja está
vivendo, e dos desafios que ela precisa enfrentar.
De tal modo que a “Evangelii Gaudium” se constituirá num marco
referencial para a caminhada da Igreja, como foi a “Evangelii Nuntiandi”
de Paulo VI.
É um documento que servirá de baliza para a caminhada da Igreja nos
próximos anos, como afirmou o próprio Papa Francisco. Colocando suas
propostas de maneira integrada na “Evangelii Gaudium”, o Papa nos
convida a refletir sobre elas, e perceber quanto podem influenciar nossa
ação eclesial. Se queremos estar em sintonia com o Papa, precisamos
acolher as reflexões e as propostas da Evangelii Gaudium!
FONTE: http://diocesedejales.org.br/home/as-iniciativas-do-papa/