terça-feira, 18 de novembro de 2014

ARTIGOS DO BISPO DIOCESANO DE JALES 



AS TERRAS MARAVILHOSAS DA ARGENTINA

No final de setembro de 1999, tive a oportunidade de conhecer melhor a Argentina.
De todos os países da América, nesses anos de CELAM, só faltava ver a Argentina. Fui convidado a ir a Santa Fé, a capital da Província de Entre Rios, onde se realizava o Congresso Missionário Continental. O Arcebispo de Santa Fé, Monsenhor Estanislau Karlik, também fazia parte da Comissão do Sínodo da América. Ele insistiu para que eu fosse ao Congresso em sua cidade. E assim, pude ver mais de perto as terras da Argentina.
De fato, fiquei impressionado vendo as planícies sem fim, estendendo-se território adentro, a partir de Buenos Aires. Imaginei então nossos pobres migrantes italianos, alemães e poloneses, que no final do século dezenove foram se instalar no sul do Brasil. Eles tiveram que arrancar à unha o seu sustento nas montanhas do Rio Grande. Quando os que foram para a Argentina encontraram a facilidade de cultivar aquelas planícies, com sua fabulosa fertilidade.
Na viagem de Buenos Aires a Santa Fé, ao longo de quinhentos quilômetros, pude observar como a terra é plaina, como o assoalho de uma casa. E assim é toda a região da “Pampa Úmida”, num círculo de mil quilômetros nas vizinhanças de Buenos Aires. A perder de vista, a mesma planície, que permitia ver os carros passando a quilômetros de distância.
Pensando agora na crise da Argentina, a gente compreende como durante tanto tempo estas terras férteis foram a fonte da abundância e da riqueza dos argentinos. Na época anterior à “revolução verde”, que transformou a agricultura europeia, os argentinos exportavam seus produtos para a Europa, colhidos com facilidade, para compradores europeus que precisavam deles para matar a fome.
Agora, o protecionismo agrícola da Europa e dos Estados Unidos mudou a situação. Talvez os argentinos tenham se acostumado mal. E as terras, nas mãos dos grandes fazendeiros, que só se interessam por lucro fácil, acabaram se tornando um fator a mais para embananar a situação econômica da Argentina.
Talvez seja válida uma constatação: mais vale a austeridade de vida e a garra de trabalhar, do que a exuberância fácil da riqueza que custa pouco.
Próximo seguimento: A bolsa de Chicago

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